DÍVIDA DOS EUA ULTRAPASSA R$ 200 TRILHÕES E REACENDE DEBATE CITADO POR LULA NO JORNAL NACIONAL

A dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões (cerca de R$ 206 trilhões) em agosto, atingindo um novo recorde histórico e intensificando o debate sobre as contas públicas da maior economia do mundo. O avanço ocorreu nos primeiros 19 meses do segundo mandato do presidente Donald Trump, que havia prometido reduzir gastos públicos e controlar o déficit federal.

Segundo reportagem da Reuters, a dívida americana superou oficialmente o patamar de US$ 40 trilhões em 18 de agosto. O aumento ocorre em meio a dificuldades do governo para cumprir compromissos de ajuste fiscal assumidos durante a campanha eleitoral.

O tema ganhou repercussão no Brasil após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citar o endividamento dos Estados Unidos durante entrevista ao Jornal Nacional, em 27 de agosto. Ao responder questionamentos sobre a trajetória da dívida pública brasileira, Lula comparou o cenário nacional ao de outras economias desenvolvidas.

“Olha para o Japão, olha para a Itália. Você sabe qual é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é 40 trilhões de dólares”, afirmou.

Na ocasião, o valor mencionado pelo presidente correspondia ao montante já registrado pelo Tesouro norte-americano. Dados disponíveis indicavam que a dívida bruta dos EUA representava cerca de 126% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual próximo ao citado por Lula. 

Durante a entrevista, o presidente também argumentou que o crescimento econômico pode reduzir o peso relativo da dívida sobre o PIB.

“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair com relação ao PIB”, declarou.

Especialistas, entretanto, destacam que a comparação entre Brasil e Estados Unidos possui limitações. Os EUA emitem o dólar, principal moeda de reserva internacional, o que garante condições de financiamento mais favoráveis. Além disso, os juros pagos pelo governo brasileiro costumam ser significativamente mais elevados.

A Reuters destaca ainda que o crescimento da dívida americana ocorre em um contexto de aumento dos gastos federais e de elevação dos custos para financiar o endividamento público. O avanço da dívida tem gerado alertas de analistas e entidades fiscais sobre os impactos futuros para o orçamento federal e para a economia do país.

Outro ponto relevante é que existem diferentes métricas para medir a dívida dos Estados Unidos. O valor superior a US$ 40 trilhões refere-se à dívida federal bruta, que inclui títulos em poder de investidores e obrigações entre órgãos do próprio governo. Já a parcela da dívida efetivamente detida pelo público era estimada em aproximadamente US$ 32,3 trilhões em agosto.

Fonte: Reuters.

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