E ESSA TAL ANSIEDADE, SERÁ ESSE BICHO TODO?

É evidente e notório que estamos cada vez mais submersos em um sentimento… A famosa ansiedade. Um bichinho chato que vez ou outra aparece para nos atormentar. Porém, o que será que nos faz ansiosos? Na literatura atual temos diversos aspectos envolvidos para a explicação deste fenômeno, desde fisiológicos, como o funcionamento do sistema “fuga/esquiva”, dimensões culturais que nos fazem produtivos ao extremo, excesso de informações, baixas habilidades sociais (quem nunca sentiu ansiedade por não saber o que falar no primeiro encontro?) dentre outras coisas. Ainda nesse ponto é importante refletirmos sobre a quantidade de informação que recebemos diariamente através das mídias sociais. Além disso, a sociedade moderna precisa lidar com uma rotina acelerada, onde tudo acontece na velocidade da luz. Como senão bastasse tudo isso, ainda estamos vivendo uma pandemia, em que precisamos lidar com o isolamento social, angústias externas e as cobranças excessivas, que hora ou outra te acomete.

Às vezes, é necessário contrariarmos o saudoso poeta baiano compadre Whashington pois nem sempre é possível “segurar o Tchan”. Permitam-me então continuar com esta analogia, onde durante a nossa caminhada da vida muitos “Tchans” ocorrem, e de acordo com as pesquisas mais atuais quanto mais “Tchans” você conseguir segurar, menor será a probabilidade de se sentir ansioso. Acontece que esta habilidade só pode ser desenvolvida se o indivíduo se expor a muitas situações-problemas. Isso dificulta o processo porque nem toda pessoa consegue segurar e ainda por cima amarrar o Tchan, ou seja, alguns indivíduos não conseguem lidar com os problemas que ocorrem no cotidiano.  

De cerdo modo, em níveis típicos, os indivíduos são capazes de gerenciar e entender os processos ou situações em que a ansiedade ataca. Sim, somente quem sente ansiedade pode denominar o que está sentindo e dizer “estou ansioso por que…”. Existem algumas formas de se diminuir a ansiedade, dentre elas elencar quais os momentos/locais em que você se sente ansioso, com quem normalmente você está, o que você faz quando está assim e o que você deixa de fazer. Isso serve para que você encontre uma linha “comum” dentro destas perguntas e a partir daí gere um hábito de se preparar para o momento que a ansiedade chegará. O importante é entender o processo, para que quando a ansiedade resolver aparecer, você enxergar a situação de forma clara. Não é um processo fácil, querer repetição para que se torne um hábito. Com o tempo, vai perceber que está detectando com mais facilidade os momentos mais “ansiosos”.

Poderíamos falar sobre muito mais música baiana e repertórios de ansiedade, porém as linhas me são curtas para expressar os pormenores que aqui me cabem. Deixo então meus votos de que quando possível reflita sobre as perguntas acima descritas e possa minimamente segurar o seu Tchan, e se não der para segurar ao menos tente amarrá-lo. Por fim lembre-se pau que nasce torto se endireita sim!


Abraços hidratados com água de coco!

Roberto Calmon é Psicólogo

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