A FRASE “JORNALISTA NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE” E O JULGAMENTO QUE ABSOLVEU BOLSONARO EM 1988 E O PAPEL DA IMPRENSA DA ÉPOCA; ENTENDA
O episódio envolvendo o então capitão Jair Messias Bolsonaro, julgado e absolvido pelo Superior Tribunal Militar em 1988, é um marco revelador da relação entre militares, imprensa e poder no Brasil. A frase “Jornalista não é flor que se cheire”, atribuída ao contexto do julgamento, sintetiza a tensão entre a liberdade de expressão e os interesses institucionais que permeavam o cenário político da época.
Em 1986, Bolsonaro publicou um artigo na revista Veja criticando os baixos salários dos militares, o que resultou em uma punição disciplinar de 15 dias de reclusão. O caso, inicialmente tratado com pouca relevância pela imprensa, ganhou proporções maiores quando, em 1987, a mesma revista noticiou um suposto plano de Bolsonaro para explodir bombas em quartéis como forma de protesto1. A denúncia levou o capitão a julgamento, mas ele foi absolvido pelo STM em 1988, decisão que contrastava com a condenação anterior por um conselho de justificação do Exército.
A absolvição de Bolsonaro não apenas encerrou o processo judicial, mas também impulsionou sua notoriedade pública. A cobertura da imprensa, que inicialmente foi tímida, passou a acompanhar mais de perto sua trajetória, contribuindo para sua entrada na política como vereador no Rio de Janeiro meses depois. O episódio revela como a imprensa, mesmo quando criticada ou desacreditada, desempenha papel fundamental na construção de narrativas públicas e na fiscalização de instituições.
Além disso, o julgamento expôs a aversão de setores militares à imprensa, como apontado por estudiosos e jornalistas que analisaram os documentos do caso. Essa tensão entre liberdade de imprensa e autoridade militar levanta questões sobre os limites da crítica institucional e o papel da mídia na democracia.
Em suma, o julgamento que absolveu Bolsonaro em 1988 é mais do que um episódio jurídico: é um retrato das complexas relações entre poder, comunicação e opinião pública. A frase provocativa que dá título ao caso não apenas revela o clima da época, mas também convida à reflexão sobre o valor da imprensa como pilar da democracia e da memória histórica.
Foto: Acervo Pessoal/Jair Bolsonaro.