” AGROGOLPISTAS”: O ROSTO RURAL DO 8 DE JANEIRO
O relatório “Agrogolpistas”, elaborado pelo observatório De Olho nos Ruralistas, revela uma faceta pouco explorada da tentativa de golpe de 8 de janeiro: o envolvimento de grandes produtores rurais, especialmente na Bahia. Com base em investigações conduzidas pelo STF, Abin e PF, o documento aponta que 13 fazendeiros baianos participaram ativamente do financiamento e logística do movimento antidemocrático, inserindo-se num núcleo nacional de 142 nomes do agronegócio.
— Concentrados em cidades estratégicas do oeste baiano — como Barreiras e Luís Eduardo Magalhães — esses empresários controlam grandes extensões de terra, empresas influentes no setor e, em muitos casos, frotas de caminhões usados nos bloqueios de estradas em 2022. Famílias como os Denardin, Walker, Henke e Luza são citadas por fornecerem infraestrutura e até aeronaves para a mobilização extremista. A presença de nomes ligados à Aprosoja e ao Movimento Brasil Verde e Amarelo evidencia o alinhamento político-ideológico que extrapola a produção agrícola.

— Mais do que um registro investigativo, o relatório traz à tona os profundos vínculos entre parte do agronegócio brasileiro e ações que atentaram contra a democracia. A força econômica e territorial de certos atores do setor acabou sendo instrumentalizada em um momento crítico da política nacional, exigindo atenção e responsabilidade diante do peso que o agro exerce sobre o país.
Crédito: Fotos: Fellipe Sampaio/SCO/STF/ Foto: Joédson Alves, Agência Brasil/ © Marcelo Camargo/Agência Brasil.